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O QUE PODE UM CORPO? A PROBLEMÁTICA DE NIILISMO E DESEJO ATRAVÉS DE UMA ÉTICA DA IMANÊNCIA

  Introdução   Niilismo e desejo foram por muito tempo na filosofia conceitos que se imbricavam como quase complementares, isto por conta da ideia geral comumente estabelecida de o desejo ser visto como sinônimo de falta, ligando-se à ideia da ausência de sentido do niilismo. Se o desejo por um além perdido - seja este um sentido para a vida - se encontra no fora, o niilismo vê o desejo como sua causa eficiente, pois anseia-se um porquê, e tudo pelo que se deseja reside o objetivo teleológico da vida como um todo. Espinosa irá romper com essa ideia dizendo que não é porque julgamos uma coisa boa que a desejamos, é porque a desejamos que ela é boa (SPINOZA, 2020, p. 106). Dessa maneira, tudo se inverte, a noção de desejo como algo de fora distante de nós muda de perspectiva. A tradição que Espinosa rompe e da qual ele faz parte não nasce necessariamente nele, mas encontra seu potencial subversivo - como Antonio Negri chama o filósofo holandês (NEGRI, 2016) – nele e se acha no...

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